Por que eu precisava de uma VM
Todo projeto pessoal chega num ponto em que hospedagem estática ou serviços gratuitos deixam de ser suficientes. No meu caso foi o BookCase: um sistema em Flask com PostgreSQL e nginx na frente, que precisava rodar 24/7, ter um IP fixo e me dar liberdade total pra configurar o ambiente do jeito que eu quisesse — coisa que PaaS gratuito não entrega direito depois de um tempo.
O problema é que eu não queria pagar caro por uma VM só pra rodar projetos pessoais e de portfólio. A ideia era achar o melhor custo-benefício sem abrir mão de estabilidade, já que trabalho com monitoração de infraestrutura no dia a dia e sei bem o que significa uma VM instável em produção.
Comparando as opções
Antes de decidir, testei e pesquisei preços de vários provedores conhecidos:
- DigitalOcean — ótima documentação e interface, mas o droplet mais barato (1 vCPU / 1GB RAM) sai por volta de US$ 6/mês, e o tráfego incluso é limitado.
- Vultr — preços parecidos com a DigitalOcean, boa variedade de regiões, mas nada que se destacasse em custo pra uma VM pequena de uso pessoal.
- Linode (Akamai) — estável e bem avaliada, porém no mesmo patamar de preço das duas anteriores.
- Oracle Cloud Free Tier — o "Always Free" é tentador (até 4 vCPUs ARM e 24GB de RAM de graça), mas na prática esbarrei em disponibilidade de instância limitada em várias regiões e histórico de contas sendo suspensas sem aviso muito claro.
- Contabo — preço muito baixo por recursos altos, mas a reputação de performance de disco e suporte inconsistente me deixou receoso pra um projeto que eu queria manter estável.
No fim, o que eu queria era simples: preço baixo, recursos decentes (CPU, RAM e disco SSD) e uma rede que não fosse motivo de dor de cabeça.
Por que escolhi a Interserver
A Interserver chamou atenção por um motivo direto: o plano de VPS deles usa um modelo de preço fixo por "slice" (US$ 6/mês por 1 vCPU, 2GB RAM, 30GB SSD), que quando comparado entrega mais RAM e disco do que a concorrência no mesmo valor. Também dá pra escalar simplesmente comprando mais slices, sem precisar migrar de plano.
Outros pontos que pesaram na decisão:
- Painel de controle simples para criar, redimensionar e reinstalar a VM.
- Suporte a diversas distribuições Linux prontas (usei Ubuntu Server).
- Sem taxa de tráfego separada dentro dos limites generosos do plano.
- Preço trancado — não é uma promoção que dobra depois do primeiro ano, como acontece em vários provedores de hospedagem compartilhada.
Como ficou na prática
Depois de alguns meses rodando o BookCase e outros projetos na VM, o resultado foi positivo: a instância aguenta bem o Flask + PostgreSQL + nginx sem gargalos perceptíveis para o volume de acesso de um projeto pessoal/portfólio. Não tive quedas inesperadas de rede, e o tempo de resposta do suporte quando precisei abrir chamado foi razoável.
Configurei firewall próprio, SSH com chave (sem senha), atualizações automáticas de segurança e um cron simples de backup do banco — nada que dependesse da infraestrutura da Interserver além da própria VM, o que é justamente o ponto: ela é uma peça de infraestrutura, não uma plataforma gerenciada, então a responsabilidade de manter tudo seguro e funcionando é minha.
Vale a pena?
Para quem quer aprender a operar um servidor de verdade — configurar nginx, banco de dados, firewall, deploy — e ainda economizar hospedando vários projetos pequenos na mesma máquina, a Interserver entregou o que eu precisava: menor custo por recurso entre as opções que testei, sem abrir mão de estabilidade. Não é a escolha certa se você quer algo totalmente gerenciado e não tem interesse em mexer com administração de servidor — nesse caso, um PaaS como Render ou Railway compensa mais o tempo.
No meu caso, como trabalho com infraestrutura e gosto de manter controle sobre o ambiente, valeu a pena.